terça-feira, 9 de janeiro de 2018

[Confissões] Dize a minh'alma

"Dize a minha alma: Eu sou a tua salvação. Que eu ouça e siga essa voz e te alcance"
Minha alma reconhe a voz de seu Criador
"Minha" não venha a ser. Porque tudo pertence a Ti, sou apenas uma parte de sua Criação, mas desejo louvar-te.
Desejo repousar em Teus braços de modo que nunca mais venha a sair, "estreita é a casa de minha alma para que venhas até ela: que ela seja por ti dilatada. Está em ruínas; restaure-a".
Tua verdade grita de tal forma dentro de mim que não desejo outro lugar senão ansiar voltar a Teus braços na eternidade. Desejo voltar para casa, desejo voltar e permanecer para sempre com meu Pai.
Autor Onipotente que em suas mãos tem a Criação ordenada, amo-te, minha alma ruge de saudades, ruge de amor, e deseja ser cuidada por ti.
Pega estas mãos manchadas e eleva a tua presença, onde todo pecado se dissipa, pois és Santo, e em Ti não há pecado algum.

Lolita-Vladimir Nabokov


Essa provavelmente é minha capa de livro favorita (apesar de ter lido em e-book).
Esse é um dos livros que mais causa divisão de opiniões, e um tanto polêmico.
O livro trata sobre pedofilia. Isso não é spoiler, pois, já se deixa bem claro nas primeiras linhas do livro. Eis aqui elas:
"Lolita, luz da minha vida, fogo da minha virilidade. Meu pecado, minha alma. Lo-li-ta: a ponta da língua faz uma viagem de três passos pelo céu da boca abaixo e, no terceiro, bate nos dentes. Lo. Li. Ta.
Pela manhã, um metro e trinta e dois a espichar os soquetes; era Lo, apenas Lo. De calças práticas, era Lola. Na escola, era Dolly. Era Dolores na linha pontilhada onde assinava o nome. Mas nos meus braços era sempre Lolita."
O livro é feito com uma habilidade incrivelmente cativante quando se trata da escrita. Apesar de o autor ser russo, ele escreveu em língua inglesa e dominou-a surpreendentemente bem. 
Narrado pelo personagem Humbert Humbert (ou como ele se intitula: H.H), homem maduro, culto e bem educado. 
Se apaixona pela Lolita ao encontrá-la deitada tomando sol no quintal da sua recém alugada hospedaria, começa então o que podemos chamar de um tanto fanática exaltação de Dolores Haze (Lolita, apelido que existe somente na cabeça dele). Em um certo momento, uma série de acontecimentos fará com que as pessoas comecem a achar que a romantização de uma relação entre uma menina de 12 anos e um homem de meia-idade se torne possível e até aceitável. O livro é inteiro narrado em primeira pessoa, portanto só há pov (ponto de vista) dele, fato este que acaba deixando a história um tanto duvidosa. 
A escrita chega a ser de tal ponto envolvente que você se encara considerando seus próprios conceitos morais. 
O x da questão em encarar esse livro está em que, as pessoas até hoje não chegaram em um fator comum no que se refere a conceituar essa história como uma pedofilia, ou apenas uma história de amor, trágica e impossível.
O filme foi adaptado para o cinema pelo Stanley Kubrick, particularmente o melhor diretor de filmes que conheço. A adaptação é altamente recomendável, porque realmente seguiu a risca os fatos mais relevantes da obra.
Por fim, o livro inteiro é recomendável, tudo é de te fazer prender a respiração e viajar em sua própria consciência.
P.s:se você tem receio de ler achando que será um livro com conteúdo pornográfico fique tranquilo porque não tem nada disso, na verdade é bem sutil. E trata os sentimentos de forma (se é que posso chamar assim) inocente
 

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

[Confissões] Infância TEMPOral

Haveria antes de minha infância algum tempo em que poderia te conhecer? Pois neste momento, apesar de me ter falha memória, existiamos em ti, antes mesmo de sermos formados materialmente. Porventura sou eu merecedora de algo? Certamente que não. Com efeito, em ti habitam todas as coisas, pois sem Ti, nada do que foi feito existiria. 
Durante a infância lembro-me do riso, não sei ao certo como, nem porquê. Lembro da cor das lembranças, dos sons, e do quanto a sua essência já estava a me rodear sem ao menos me dar conta disso. 
O que foi hoje não será amanhã, mas o que foi amanhã já se passou. 
Os dias não te afetam, o tempo não te afeta, pois estes estão em você e são controlados por você.
Toma meu riso infantil e ouve-o como para Ti. 
Crescer hoje tem um novo significado, porque aprendo contigo, e ao seu lado, tudo se torna novo. (Ó beleza antiga e tão nova). 
Teu é o hoje assim como foi o ontem e haverá de ser o amanhã.
Por isso cresci, mudei e conheci, conheci coisas debaixo do sol, nada delas se compara a completude de sua sabedoria.
Ouvindo a chuva não tinha consciência de que você existiu antes dela, no passado sem começo, antes de tudo, já eras. 
Hoje, olhando a grandeza de sua criação me dou conta de que aquela menina não entendia o porquê de te adorar, não entendia o porquê de existir ou até mesmo de te dizer constantemente que tu és Eterno. Não como um lembrete a Ti, certo que não, tua mente não precisa de memorandos. Apenas para lembrar a si mesma de que existe um Deus que habita na luz inacessível, e este Deus é Eterno, e este Deus pode tudo, e este mesmo, apesar de sua plenitude, escolheu amá-la.

Confissões

Tenho lido as confissões de Agostinho e algumas reflexões têm fervilhado ativamente em meu ser. Senti que devia compartilhar. A forma da escrita é tão sutil e ao mesmo tempo tão cheia de verdade, que através dela vou me inspirar pra acrescentar ao meu diário espiritual. Então começarei aqui uma nova série para minhas próprias confissões 

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Resenha até o fim da queda

Da maravilhosa editora Draco, um dos últimos lançamentos:
Vou começar deixando aqui o acesso ao booktrailer para os curiosos:
https://m.youtube.com/watch?v=TTVUaAgC7eM

Quem espera um livro comum não vai ter isso. Primeiro pela disposição das informações que é o que poderia chamar de bagunça organizada. A quebra do espaço-tempo, entrevistas, fotos e textos é de tirar o fôlego. 
Cada assunto tratado, desde aqueles que possuem riqueza de detalhes quanto aqueles que dão um ar de mistério, são incríveis. Afirmações como:
*alerta de possível spoiler*
Quando o autor diz que acredita no mal, que ele é universal e presente

*pode ler a partir daqui*
Podem causar espanto, mas causam também algo que poderíamos reduzir como "reflexão".
Não posso falar mais sobre o conteúdo interno, afinal é uma resenha, não resumo do livro.
Vamos ver as informações principais
É uma obra de ficção;
É brasileira: o que torna a arte mais ainda curiosa, pois podemos ver o desenvolvimento de nossa literatura e as diversas formas sob as quais se apresenta;
Trata de assuntos de difícil acesso 
O preço está extremamente acessível, pois no que se pode dizer em relação ao conteúdo, a editora Draco foi generosa. Um livro grandioso com um valor que cabe no bolso

Após minha opinião, leiam então a sinopse:
Ivan Mizanzuk não é para iniciantes. Ou melhor, talvez seja bom que iniciantes o leiam tanto leitores quanto escritores. Porque Ivan sabe do que está falando. Num estilo que mistura e homenageia autores como André Breton e Valêncio Xavier (quantos da nova geração já leram? Precisam), este professor de arte estreia na literatura misturando ficção e realidade, magia e mundo-cão. Já leram? Não? Precisam. — Fábio Fernandes, doutor em comunicação pela PUC, escritor e tradutor1993. 
Em pouco tempo sete jovens se suicidam, e rumores sobre um ritual ganham as páginas dos jornais. A polícia descarta a opção e dá o caso como encerrado. Anos se passam e Daniel Farias, um popular escritor de terror, decide reconstituir o caso em sua nova obra. Durante a pesquisa, descobre histórias sobre uma ordem secreta operando em nome de um demônio, o Dragão Vermelho, cujas origens remontariam a um exorcismo ocorrido no século XVI, na Espanha. Sucesso imediato entre os fãs, o livro alcança a lista de best-sellers e também as páginas policiais, ao se espalhar a notícia de que leitores estariam se matando após a sua leitura. Isso faz as vendas explodirem, e o mistério aumenta quando o próprio Daniel começa a ser vítima de ameaças, enquanto pais preocupados tentam boicotar o livro. Livro de estreia de Ivan Mizanzuk, uma das novas promessas do thriller nacional, Até o fim da queda desenha através de cartas, entrevistas e artigos de jornais uma trama de conspirações e inquietudes, ao mesmo tempo em que investiga as mais profundas angústias humanas, e o preço que pagamos ao tentarmos silenciá-las. Descobrir o que se esconde no fundo desse abismo pode custar sua própria sanidade.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Última leitura de 2016

Pode parecer um pouco tarde, mas o último livro (que não é tão novo assim) lido por mim foi o primeiro da série maze runner: correr ou morrer. Como a maioria das adaptações, a minha primeira reação ao ler foi: "que caramba fizeram com o filme". O final a rigor *sem spoiler explícito* se desenrola com as mesmas informações relevantes da produção cinematográfica, mas o caminho para esse se revela MUITO MUITO MUITO diferente. Mas para quem gosta de uma leitura bem descontraída, com ação e uma ideia sem muitos clichês característicos de literatura adolescente... Pode ler, recomendo.
Vamos a um resumo bem rápido:
O principal dessa série é o Thomas. Ele começa claramente com um conflito de memória e é levado a um local até então desconhecido.
Chegando lá, encontra com pessoas que ele não sabe dizer o nome de imediato, nem ao menos sua relação com elas. Pra completar o cenário, a única forma de "sair" de lá é percorrendo um labirinto que o cerca. Mas todas as noites as paredes mudam. As pessoas que compõem o lugar são adolescentes (como ele) que também não se lembram de detalhes de sua vida anterior.
Aliás, isso é que o difere dos demais, Thomas tem relances de memória... Só não consegue organizar seus pensamentos.
ENFIMMMM, chega, o resto vai ser descoberto durante o livro. Dar informações demais estraga

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Renovando laços

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